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Um mundo de possibilidades é o que me apraz dizer de imediato. Esclarecedor em termos de nomenclatura e das articulações possíveis entre as diferentes ferramentas. Mas, pensar a aplicação das Web 2.0 à educação, obriga-nos inevitavelmente a pensar na possibilidade de articulação entre a virtualidade do ensino e a “realidade” do ensino. Ensino que não é ainda, neste tempo actual, uma realidade para todos, e muito menos nas mesmas condições; ensino que não está dotado, em muitas situações, dos meios mais elementares, quanto mais tecnológicos… Aliciante sem dúvida o que as web 2.0 nos permitem ou facultam, mas efectivamente execuíveis, devemos perguntar!

“By inquiry, I mean self-correcting practice. I would not call any behaviour inquiry if it is merely customary, conventional, or traditional behaviour, that is simply practice. But if the supervening practice of self-correction is added to the practice, the result is inquiry.”[1] 

      A investigação, enquanto sistema de produção de conhecimentos, é uma tentativa sistemática de atribuição de respostas às questões que colocamos a partir do nosso confronto com a realidade.

       Realidade(s) esta(s) que alterando-se actualmente a um ritmo acelerado, nos obriga a um indagar constante por forma a que procuremos compreender os factores desencadeadores das mudanças nela operadas. Com carácter interrogativo e questionador, o trabalho da investigação científica em qualquer área do conhecimento, procura descobrir regularidades e determinar critérios de significação, através de um procedimento metodológico que deve ser adequado ao objecto gnoseológico em causa ou, o que é o mesmo, ao facto visado.

 

       A  Filosofia para Crianças é um projecto de investigação/programa de filosofia, com esse carácter interrogativo e questionador, da autoria do filósofo americano Matthew Lipman. Criado nos Estados Unidos em 1968, está inserido desde 1974 no Montclair State College em New Jersey.

Trata-se de um programa de desenvolvimento das habilidades de pensamento (Thinking Skills) constituído por um currículo (1) sistemático e completo para o ensino pré-primário, básico e secundário, em que o seu autor concebendo uma nova abordagem da filosofia, reestrutura-a de modo a estimular o pensamento crítico e criativo da criança e do jovem.

Utilizando uma metodologia própria – “comunidade de investigação” – este programa ao criar certas condições para o diálogo entre todos os participantes, contribui para o fortalecimento da auto-estima do indivíduo, facultando o desenvolvimento global do mesmo tanto nos seus aspectos cognitivos como socio-afectivos.

Através da discussão suscitada pela leitura das histórias (filosóficas) escritas pelo autor do programa, as crianças e jovens são estimuladas a falar sobre aquilo que os interessou nessa leitura. É com base neste material e sem que seja feita qualquer referência a nomes de pensadores ou de doutrinas, que o professor pode guiar a discussão que se pretende rigorosa e logicamente estruturada.

A prática na sala de aula tem vindo a demonstrar a convergência entre aquilo que constitui o património de ideias de tradição filosófica ocidental e aquilo que as crianças e jovens também gostam de falar, como por exemplo, os conceitos de verdade, mentira, justiça, bondade, liberdade, beleza, amizade, o que é ser pessoa, aparência, realidade, semelhança, etc.

Neste processo os estudantes desenvolvem inúmeras capacidades – de investigação, de raciocínio, de exploração de conceitos e de tradução – que são necessárias tanto para o seu sucesso escolar como para a sua vida quotidiana. O currículo da FpC e a sua metodologia específica visam permitir aos estudantes aprender a pensar melhor e aprender a pensar por si mesmos.

 


[1]LIPMAN, Matthew, Thinking in Education, Cambridge University Press, 1991, p.59

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